CASTRO, Joaquim Pereira Pimenta de

Joaquim Pereira Pimenta de Castro nasceu em Pias, Monção, a 5 de Novembro de 1846 e faleceu em Lisboa, a 14 de Maio de 1918. Fez os estudos em Coimbra, onde ingressou na Faculdade de Matemática, tendo tirado o bacharelato. Assentou praça em 1867 e fez carreira militar, atingindo o generalato em 1900. Após a proclamação da República, a 5 de Outubro de 1910, foi Ministro da Guerra, por apenas dois meses. Chamado novamente ao poder por Manuel de Arriaga, ascendeu à Presidência do Governo a 25 de Janeiro de 1915, acumulando a pasta da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. A partir de Março, começa a governar em Ditadura. Deposto pela revolução de 14 de Maio de 1915, foi preso e deportado para Angra do Heroísmo. Faleceu em 1918. Manuel Loff, Sofia Ferreira COSTA, Afonso, nasceu em Santa Marinha, no concelho de Seia, a 6 de Março de 1871 e faleceu a 11 de Maio de 1937, em Paris, tendo sido sepultado inicialmente em Neuilly-sur-Seine, no jazigo de Robert Burnay, sendo trasladado posteriormente, em 1950, para o cemitério de Cemitério do Père-Lachaise. Os seus restos mortais só em 1971 foram trasladados para Portugal, encontrando-se actualmente em Seia, no jazigo da família. Em 1883, realizou, na Guarda, os primeiros exames secundários, ingressando no Liceu da Guarda em Outubro desse mesmo ano. A partir de 1886 frequentou o Colégio de Nossa Senhora da Glória, no Porto, para aí concluir o ensino secundário. Matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, em 1888, tendo terminado o curso em Janeiro de 1895, doutorando-se nesse mesmo ano, com a dissertação A Igreja e a questão social, obra em que ataca violentamente a então recente encíclica Rerum novarum. Em 1896, foi nomeado docente da Universidade de Coimbra. Rapidamente se distinguiu pelas suas ideias políticas, tendo-se afirmado como republicano, chegando a participar na conspiração da revolta de 31 de Janeiro de 1891. Notabilizou-se em 1897 no protesto contra o plano do governo progressista de alienar as vias-férreas do Estado. No comício que se realizou em 13 de Junho desse ano, no Porto, Afonso Costa foi um dos oradores mais fluentes, apresentando-se pela primeira vez publicamente. Em 1899, o Partido Republicano apresenta, no Porto as candidaturas do Doutor Afonso Costa, de Xavier Esteves e de Paulo Falcão às eleições para deputados. Extremamente disputadas entre monárquicos e republicanos, as eleições realizaram-se a 16 de Novembro, ficando eleitos os três candidatos republicanos. Contudo, o governo conseguiu que esta eleição fosse anulada arbitrariamente no tribunal de verificação de poderes, o que ainda exaltou mais os ânimos. Marcada a repetição da eleição, os três candidatos eram novamente apresentados ao sufrágio. O acto eleitoral realizou-se a 18 de Fevereiro, e a despeito de todas as pressões, o Porto tornou a eleger os três deputados republicanos, facto que causou a maior impressão no país e que fez com que ficassem conhecidos como os deputados da peste, já que a sua eleição foi atribuída ao descontentamento criado pelas medidas impostas pelo governo para controlo da epidemia de peste bubónica no Porto. Caindo o ministério progressista, e subindo ao poder o Partido Regenerador, procedeu-se à eleição de deputados em 25 de Novembro de 1900, e o Partido Republicano Português apresentou novamente os três candidatos, que desta vez não foram reeleitos. Só volta a ser reeleito novamente em 1906, pelo círculo de Lisboa. Afonso Costa revelou-se um distinto parlamentar e um dos mais temíveis inimigos das instituições monárquicas. Orador fluente, os seus discursos eram atentamente escutados, tendo-se revelado um dos maiores oradores do seu tempo. Conspirou contra a ditadura de João Franco, sendo preso e libertado apenas após o regicídio. Com a implantação da República a 5 de Outubro de 1910, Afonso Costa foi chamado a integrar o Governo Provisório da República, na pasta da Justiça e Cultos, lugar que ocupou até à dissolução daquele Governo, a 4 de Setembro de 1911. Recebeu, dos seus opositores, a alcunha de "mata-frades", pela legislação laicista que mandou publicar - Lei da Separação da Igreja do Estado, expulsão dos jesuítas, registo civil, lei da família e lei do divórcio, abolição do delito de opinião em matéria religiosa, legalização das comunidades religiosas não católicas, privatização dos bens da Igreja Católica, proibição das procissões fora dos perímetros das igrejas e proibição do uso das vestes talares (religiosas) fora dos templos. Foi acusado pelos sectores mais conservadores de ter dito que iria aniquilar a religião em Portugal em duas gerações. A 29 de Agosto de 1911, anunciou o novo programa político do Partido Republicano Português, considerando-o como o partido único da República. Contudo, em Fevereiro de 1912, num processo de secessão entre os republicanos, assumiu a liderança do processo que levou ao aparecimento do Partido Democrático, mais radical, de que se tornou líder incontestado, e do Partido Evolucionista, mais moderado. Consolidado o Partido Democrático, presidiu pela primeira vez ao ministério de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914, acumulando a pasta das finanças. Como líder dos democráticos, venceu as eleições parlamentares parcelares de 16 de Novembro de 1913, transformando de facto o Partido Democrático no principal partido do poder da Primeira República e na força dominante de todo o processo político até 1926. Em 2 de Março de 1914 assumiu o exercício efectivo das funções de professor e sem nunca o admitir publicamente, instigou a revolta militar contra Pimenta de Castro, vencendo depois as eleições parlamentares de 13 de Junho de 1915 com uma confortável maioria de 69% dos votos. Sofreu, a 3 de Julho desse ano, um acidente, ao saltar pela janela de um eléctrico em andamento, por achar que ia ser alvo de um atentado, do qual saiu gravemente ferido. Tendo viajado para fora do país em tratamento, não pôde assumir a chefia do governo. Assumiu pela segunda vez a presidência do ministério de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916, acumulando também as Finanças, num governo monopartidário, mas que Afonso Costa considerava como sendo um governo nacional, declarando então pretender abster-se de praticar política partidária. Decidida a participação de Portugal na Grande Guerra, assumiu a pasta das Finanças no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Voltou pela terceira e última vez à presidência do ministério, de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917, acumulando também as Finanças, num governo exclusivamente constituído por democráticos, mas com o apoio parlamentar dos evolucionistas. Por esta razão foi alvo, em Maio de 1917, de forte contestação por parte de alguns deputados democráticos, que o acusavam de falso radical. Contudo, apesar da contestação, venceu o congresso do partido realizado a 3 de Julho seguinte, tendo como rival Norton de Matos. Terminada a Primeira Guerra Mundial, passou a chefiar a delegação portuguesa à Conferência de Paz, assinando em representação de Portugal o Tratado de Versalhes, a 28 de Junho de 1919. Foi o representante português na primeira assembleia da Sociedade das Nações. Com a instauração da Ditadura Militar e depois do Estado Novo, Afonso Costa exila-se em Paris Em Fevereiro de 1927, juntamente com Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos, Jaime Cortesão e António Sérgio, fundou a Liga de Defesa da República, em Paris, sendo eleito membro da sua Junta Directiva. No início do ano de 1937 foi indigitado para Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano., cargo que já não chegou a assumir, em virtude de ter falecido.

Manuel Loff, Sofia Ferreira