GRANJO, António Joaquim

António Joaquim Granjo nasceu em Chaves, a 27 de Dezembro de 1881 e faleceu em Lisboa, a 20 de Outubro de 1921. Ingressou no seminário de Braga, em 1893, seguindo os estudos eclesiásticos até 1898, tirando o curo de Teologia no Porto, em 1899, e daí partiu para Coimbra, tendo tirado o bacharelato em Direito na Universidade de Coimbra, em 1907. Nesse ano, regressa a Chaves para exercer advocacia mudando-se para Lisboa em 1919. Assentou praça no regimento de Cavalaria 6 e integrou o Corpo Expedicionário Português no posto de alferes-miliciano. Foi iniciado na Maçonaria em 1911, no triângulo 187, de Santa Marta de Penaguião, com o nome simbólico de Buffon, tendo pertencido também à Carbonária de Chaves. Foi membro do Partido Republicano Português, do Partido Evolucionista e do Partido Liberal. A sua acção política iniciou-se com a participação no Comité Revolucionário Académico, organizando o núcleo revolucionário em Chaves e participando no Comité Revolucionário de Trás-os-Montes e Beiras. Com a implantação da Republica, ascendeu a administrador do concelho de Chaves, vindo a representar esta cidade como deputado de 1911 a 1921. Depois do assassinato de Sidónio Pais, António Granjo insurgiu-se contra a Monarquia do Norte, em 1919. Iniciou a sua carreira governamental como ministro da Justiça durante o governo do coligação de Domingos Leite Pereira e serviu o país como o Chefe do Governo por dois breves mandatos, de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, num governo liberal, e novamente, de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921. António Granjo foi assassinado na noite de 19 para 20 de Outubro de 1921, conhecida por Noite Sangrenta. Manuel Loff, Sofia Ferreira LEAL, Francisco Pinto da Cunha, nasceu em Pedrógão, Penamacor, a 22 de Agosto de 1888 e faleceu em Lisboa, 26 de Abril de 1970. Filho de José Pinto da Cunha, pequeno proprietário e funcionário público, e de Maria da Piedade de Carvalho. Conclui o ensino primário no concelho do Fundão e iniciou os estudos liceais em Castelo Branco, concluindo-os em Lisboa. Entre 1905 e 1908 frequentou a Escola Politécnica de Lisboa, ingressando seguidamente na Escola do Exército, onde em 1912 concluiu os cursos de engenheiro militar e de engenheiro civil e de minas. Iniciou a carreira de oficial do Exército Português na especialidade de engenharia, no decorrer da qual foi sucessivamente colocado no Serviço de Torpedeiros (1912 a 1913) e nos Pontoneiros de Tancos (1913 a 1914). Já no posto de tenente de Engenharia Militar, serviu em Angola, tendo sido nomeado chefe-de-brigada na Companhia dos Caminhos-de-Ferro de Angola (1914 a 1915). Foi promovido a capitão em 1917 e nesse posto integrou o Corpo Expedicionário Português enviado para a França durante a Primeira Guerra Mundial. Regressado a Portugal em 1918, em gozo de licença do Corpo Expedicionário Português, foi um dos muitos oficiais que não voltou à frente de batalha, sendo nomeado Director-Geral dos Transportes Terrestres e ficando adstrito ao Governo, em Lisboa. Iniciou a sua acção política em 1918, durante o sidonismo, filiando-se no Partido Republicano Nacionalista e depois no Partido Centrista Republicano de António Egas Moniz. Apoia Sidónio Pais e ainda em 1918 foi eleito deputado pelo círculo eleitoral da Covilhã, cargo que ocupou até 1919. Esteve envolvido na Revolta de Santarém de 12 de Janeiro de 1919, contra o governo presidido por Tamagnini Barbosa, então acusado de estar sobre a influência dos monárquicos. Por essa razão foi detido, passando alguns meses na prisão. Com a alteração da situação política, foi reabilitado e, nesse mesmo ano nomeado Director-Geral de Estatística. Nas eleições gerais de 1919 foi eleito deputado pelo círculo eleitoral de Angola, integrando o Grupo Parlamentar Popular, no qual permaneceu até 1921. Durante aquela legislatura integrou pela primeira vez o Governo, embora de forma efémera, exercendo as funções de Ministro das Finanças de 20 a 30 de Novembro de 1920, no executivo presidido por Álvaro Xavier de Castro. Apesar da queda do executivo reconstituinte de Álvaro Xavier de Castro, manteve-se à frente do Ministério das Finanças entre 30 de Novembro de 1920 e 2 de Março de 1921, integrando o Governo presidido por Liberato Damião Ribeiro Pinto. Voltou a ser eleito deputado pelo círculo eleitoral de Angola nas eleições de 1921, integrando o grupo parlamentar do Partido Liberal Republicano, que ajudou a criar e liderou. Participou na Revolta de 19 de Outubro de 1921, na qual foi ferido ao tentar salvar António Granjo. A a 16 de Dezembro de 1921 assume as funções de Presidente do Conselho, mantendo-se no poder até 6 de Fevereiro de 1922. Durante esse período acumulou a Presidência com a pasta de Ministro do Interior. Os maus resultados das eleições gerais de 29 de Janeiro de 1922, ganhas pelo Partido Democrático Republicano, e um pequeno conflito diplomático com o Governo britânico levaram à queda do executivo. Nas eleições de 1922 e de 1925 foi eleito pelos círculos eleitorais de Chaves e de Vila Real, respectivamente, desta feita nas listas do Partido Nacionalista, cuja bancada parlamentar liderou. Neste período voltou a integrar o executivo, exercendo as funções de Ministro das Finanças entre 15 de Novembro e 18 de Dezembro de 1923. Entretanto, foi nomeado director do jornal O Século, passando a defender com crescente veemência a necessidade de uma ditadura que restabelecesse a ordem pública e social em Portugal. Foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra em 1924, mas apoiou a Revolta de 18 de Abril de 1925, o Golpe dos Generais, o que levou a 19 de Abril à sua demissão do cargo e à prisão por um breve período. Após a sua libertação, em Setembro daquele ano, tornou-se advogado de defesa dos militares implicados na intentona. Em 1926 foi obrigado a deixar a chefia do Partido Nacionalista e fundou a União Liberal Republicana, que liderou e que tinha como objectivo expresso criar condições para a ocorrência de um golpe militar que restabelecesse a ordem republicana. Coerente com as posições que defendia desde 1923, apoiou o Golpe de 28 de Maio de 1926, por ele encarado como a única solução de pôr termo à ditadura do Partido Democrático Republicano e restaurar a ordem pública. Em consequência desse apoio, durante os governos da Ditadura Nacional manteve-se no exercício de diversos cargos públicos, entre os quais o de governador do Banco de Angola (1926 e 1927-1930), de delegado de Portugal à Conferência Económica Internacional de Genebra (1927) e de membro do Comité Consultivo da Organização Económica da Sociedade das Nações (1928). Apesar de ter sido um dos intelectuais e políticos que propusera em 1926 ao general António Óscar de Fragoso Carmona a nomeação de António de Oliveira Salazar para a pasta das Finanças, em 1930 critica publicamente a eternização da ditadura e a política financeira de Salazar. Considera particularmente danosos os efeitos da interferência do Governo da República no orçamento e nas finanças das colónias. No decurso da sua segunda nomeação como governador do Banco de Angola, tornou-se num acerbo crítico da política financeira salazarista para as colónias. Essa oposição valeu-lhe a exoneração daquele cargo, seguida da acusação de conspirar contra o Governo, o que o levou a ser preso em Maio de 1930 e deportado para Ponta Delgada, nos Açores. Dali seguiu sob prisão para a ilha da Madeira, de onde, em Novembro de 1930, se conseguiu evadir para Londres, seguindo então para um período de exílio em Espanha. Beneficiando de uma amnistia, regressou a Lisboa em finais de 1932. Em 1934 e 1935 foi director da Vida Contemporânea, mas em 1935 foi detido e novamente deportado.No exílio foi uma das mais respeitadas vozes da oposição ao Estado Novo. Foi candidato oposicionista em diversos sufrágios e manteve sempre uma postura de grande combatividade contra o regime ditatorial que ajudara a instalar. Nas eleições de 18 de Novembro de 1945, para Assembleia Nacional, foi candidato independente pelo círculo eleitoral de Angola nas listas do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Foi novamente candidato oposicionista nas eleições para a Assembleia Nacional de 1949, também pelo círculo de Angola. Em 1950 participou no Directório Democrato-Social, ao lado de António Sérgio, Jaime Cortesão e Mário de Azevedo Gomes. Nas eleições presidenciais de 1951, apoiou a candidatura de Manuel Quintão de Meireles. E em 1958, o seu nome chegou a ser considerado para candidato às eleições presidenciais, com o apoio do Partido Comunista Português. Nas últimas décadas de vida, distinguiu-se como um dos maiores opositores ao Estado Novo.

Manuel Loff, Sofia Ferreira