GOMES, Ruy Luís

Ruy Luís Gomes nasceu no Porto, a 5 de Dezembro de 1905, e faleceu nesta cidade a 27 de Outubro de 1984. Filho de António Luís Gomes e Maria José Medeiros de Oliveira, herdou do pai o gosto pela política, pois este foi membro do Directório do Partido Republicano Português e fez parte do Governo Provisório, como ministro do Fomento, até 24 de Novembro de 1910. Licenciou-se em Ciências Matemáticas na Universidade de Coimbra e doutorou-se em 1938, com a apresentação e defesa de uma tese intitulada Desvio das Trajectórias de um Sistema Holónomo. Em 1929, tornou-se professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde entrou como assistente de Álgebra Superior e de Geometria Projectiva. No ano lectivo de 1930/31, ficou encarregue de leccionar a cadeira de Física-Matemática e, em 1933, apresentou provas públicas para Professor Catedrático, com a dissertação Sobre a estabilidade dos movimentos de um sistema holónomo. Foi Professor Catedrático até 1947, ano em que foi afastado do ensino oficial pelo Regime, por motivos políticos. Ruy Luís Gomes foi um professor competente e admirado pelos seus alunos, e um investigador de renome internacional, tendo publicado vários trabalhos científicos no domínio da matemática, da física matemática e sobre o valor social da ciência. Colaborou em revistas da sua especialidade, como a Gazeta de Matemática, e foi director da Portugaliae Mathematica. Foi também co-fundador da Casa-Museu Abel Salazar, do Observatório Astronómico da Universidade do Porto, da Sociedade Portuguesa de Matemática, da Tipografia Matemática de Lisboa, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e fundador do Centro de Estudos Matemáticos do Porto e da Junta de Investigação Matemática. Em 1945, Ruy Luís Gomes entrou na fase da actividade política mais intensa e quotidiana. Foi eleito presidente da Comissão Distrital do Porto do Movimento de Unidade Democrática (MUD), tendo integrado as suas listas e recusado entregá-las à polícia, o que lhe valeu a sua primeira prisão. Em 1946, morreu o Professor Abel Salazar, anteriormente demitido pelo Governo das suas funções na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o que provocou manifestações de descontentamento e de protesto contra o Estado. Ruy Luís Gomes foi um dos principais intervenientes e promotores destas manifestações, o que lhe valeu uma nova ordem de prisão. Nas eleições presidenciais de 1949, foi um dos apoiantes da candidatura de Norton de Matos, tendo integrado a listas de apoios do Porto desta candidatura. Após as eleições, o PCP aproveitou as estruturas de apoio da campanha e criou o Movimento Nacional Democrático (MND), de que Ruy Luís Gomes foi presidente, que tinha como objectivo continuar a lutar pela liberdade e pela Democracia. Após a elaboração do documento que proclamava os princípios e os objectivos deste movimento, Ruy Luís Gomes foi novamente preso. Em 1947, foi demitido da Universidade do Porto, por motivos políticos e, em 1951, foi proposto como candidato à Presidência da República pela oposição comunista. Os outros candidatos eram Quintão Meireles, pela oposição democrática, e Craveiro Lopes, pela União Nacional. A candidatura de Ruy Luís Gomes foi considerada inelegível pelo Conselho de Estado. A 11 de Agosto de 1954, o MND tomou uma posição sobre a questão colonial e enviou um comunicado à imprensa a condenar a política colonial do governo e a defender os direitos dos povos à autodeterminação. Este comunicado valeu-lhe uma nova prisão, juntamente com Virgínia Moura, Lobão Vital, José Morgado e Albertino Macedo, acusados de traição à pátria. Foram libertados em 1957 e, em 1958, Ruy Luís Gomes partiu para o exílio na Argentina, tendo aceite a regência dos cursos de Análise Matemática, da licenciatura de Matemática, no Instituto de Matemática da Universidade Nacional del Sur, na cidade de Bahia Blanca. No ano de 1962, foi para o Brasil, para leccionar na Universidade Federal de Pernambuco. Após o 25 de Abril, regressou a Portugal, onde chegou a 10 de Junho de 1974. Aceitou o cargo de membro do Conselho de Estado e assumiu as funções de reitor da Universidade do Porto. Jubilou-se a 5 de Dezembro de 1975, tendo-lhe sido outorgada a distinção de Reitor honorário e vitalício.

Manuel Loff, Sofia Ferreira